Falta gente qualificada e sobra oportunidade: o retrato da tecnologia no Sul catarinense

Criciúma (SC)

A Unesc apresentou nesta quinta-feira (7) os resultados do estudo “Inova Sul: InfoBook Indústria de Tecnologia”, no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). O evento reuniu empresários, lideranças e representantes do ecossistema de tecnologia do Sul catarinense. O diagnóstico foi elaborado pela Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt) e pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, com base em pesquisas qualitativas e quantitativas.

O levantamento aponta que Criciúma se consolida como principal polo tecnológico do Sul do estado, com 180 empresas de tecnologia e 3.488 empregos formais no setor em 2024. A cidade também figura entre os municípios catarinenses com melhores remunerações na área, com média salarial de R$ 5.708,41, e ocupa a 10ª posição entre as maiores economias de Santa Catarina.

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Na região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), o setor de tecnologia movimenta R$ 260 milhões. Em Santa Catarina, o segmento representa R$ 6,7 bilhões em valor adicionado, equivalente a 1,61% da economia estadual. O estado também concentra 5,91% das empresas de tecnologia do Brasil e 5,58% dos empregos formais do setor.

A gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc e gestora do CRIO, Elenice Padoin Juliani Engel, reforça a importância das informações estratégicas para o crescimento regional. “Esse projeto busca identificar tendências econômicas emergentes capazes de impulsionar inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável. A informação é matéria-prima essencial para decisões estratégicas, permitindo que cada empreendedor, gestor ou instituição planeje e inove em produtos, processos e novos negócios”, afirma.

Para o coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, Afonso Valau de Lima Junior, a tecnologia já é um dos principais vetores de desenvolvimento da região. “O Inova Sul evidencia que a tecnologia já é um dos principais vetores de desenvolvimento da nossa região, gerando empregos qualificados e aumentando a competitividade local. Mais do que um setor isolado, ela impacta diretamente a indústria, o comércio, o agronegócio e os serviços, promovendo inovação e ganhos de produtividade”, afirma. “A tendência mostra que a tecnologia deve se consolidar como um dos motores da economia regional, fortalecendo outros setores e criando novas oportunidades de negócio”, acrescenta.

Desafios e oportunidades

Entre os principais desafios apontados por empresários e representantes do setor estão a escassez de mão de obra qualificada, a concorrência mundial por talentos, as dificuldades em acompanhar o avanço da inteligência artificial, os custos tributários e a necessidade de maior integração entre empresas, universidades e poder público. Ao mesmo tempo, o estudo identifica oportunidades no uso estratégico da inteligência artificial, na automação de processos, na especialização em nichos de mercado e no fortalecimento da cooperação regional.

Cases e Escritório de Projetos

Durante o evento, foram apresentados projetos desenvolvidos pelo programa Unesc Labs em parceria com empresas da região. A Mohawk apresentou soluções de inteligência artificial voltadas à controladoria e análises gerenciais, atualmente em fase de testes. A Procer, empresa de Criciúma com atuação internacional em soluções para armazenamento de grãos, foi a primeira a integrar oficialmente a parceria com a universidade.

Também foi apresentado o Escritório de Projetos, iniciativa voltada à captação de recursos, elaboração de projetos e fomento à inovação regional. O espaço já conta com mais de R$ 10,4 milhões em projetos aprovados e R$ 515 mil captados para eventos. Segundo dados apresentados no encontro, apenas 10% das empresas utilizam recursos públicos voltados à inovação, e somente 30% adotam incentivos fiscais disponíveis para o setor.

O projeto Inova Sul reúne mais de 300 empresas e promove dez fóruns regionais nas regiões da Amesc e Amrec. Além de tecnologia, o projeto já realizou encontros com os setores químico, de mineração, plástico, turismo e confecção.

 


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